O Instituto de Estudos Ismailis (ҹ糡) realizou uma cerimónia de formatura no Centro Ismaili, Londres, no dia 28 de março de 2026, para celebrar os resultados da turma de 2026 do Programa de Pós-Graduação em Estudos Islâmicos e Humanidades (GPISH) e da turma C-16 do Programa de Formação de Professores do Ensino Secundário (STEP). A cerimónia reuniu formandos, familiares, docentes e convidados para assinalar o culminar de anos de estudo e o início de novas jornadas na investigação, na educação e no serviço.
Reflexões e mensagens de abertura
A sessão teve início com uma recitação do SagradoQur'an (ou Alcorão)Os Muçulmanos acreditam que o Sagrado Qur'an contém revelações divinas ao Profeta Muhammad, recebidas em Meca e Medina ao longo de um período de 23 anos no início do século VII d.C. Mais, a que se seguiu um discurso de boas-vindas da Diretora, a Prof. Dra. Zayn Kassam.
Nas suas palavras, a Professora Kassam sublinhou o compromisso do Instituto em promover o estudo das sociedades muçulmanas através de uma investigação rigorosa e de um envolvimento significativo com os desafios contemporâneos. Este tema esteve presente ao longo de toda a cerimónia, à medida que os oradores refletiam sobre a responsabilidade que recai sobre os diplomados ao avançarem para a próxima fase das suas vidas académicas e profissionais.
Ao proferir uma mensagem de felicitações, , da , refletiu sobre a profundidade intelectual dos cursos e a importância de abordagens matizadas e críticas ao estudo do Islão. Salientou que os diplomados saem não só com conhecimentos, mas também com a capacidade de questionar pressupostos, promover a compreensão e colmatar divisões num mundo cada vez mais complexo.
, do , também se dirigiu aos presentes, descrevendo a formatura como um novo começo. Inspirando-se no poeta irlandês John O’Donohue, falou da transição de estudante para «professor-líder» e encorajou os diplomados a abraçar as responsabilidades e as possibilidades que advêm da liderança e da pedagogia.
O discurso de formatura foi proferido pelo , do . Numa reflexão que estimulou o pensamento, encorajou os formandos a darem continuidade aos hábitos de inquirição crítica que tinham desenvolvido, mantendo-se abertos à aprendizagem para além da sala de aula.
Entrega de diplomas e prémios
Um dos pontos altos da cerimónia foi a entrega dos diplomas. Os graduados da turma do STEP receberam o Mestrado em Sociedades e Civilizações Muçulmanas e o Diploma de Pós-Graduação em Ensino e Prática Reflexiva, enquanto os graduados do GPISH receberam o Mestrado em Estudos Islâmicos e Humanidades.
A excelência académica foi também reconhecida através dos Prémios para a Melhor Dissertação. Alina Charania recebeu o prémio do programa STEP, enquanto o prémio GPISH foi atribuído conjuntamente a Anila Bano, Kiran e Rubab Meraj pelas suas dissertações de mérito excecional.
Reflexões do discurso da formatura
Nabila Esmail, STEP C16 Turma de 2025
Os discursos de formatura apresentaram ڱõ pessoais e coletivas sobre o percurso até à conclusão da graduação. Nabila Esmail, falando em nome da turma STEP C16 de 2025, situou o percurso da turma num contexto institucional e histórico mais amplo. Refletindo sobre o significado do tempo que a turma passou no Instituto, ela observou:
Um dos capítulos mais marcantes dessa jornada foi a transição que vivemos juntos. Talvez sejamos um dos únicos grupos a ter iniciado os nossos estudos sob a orientação de um Imam e a concluí-los sob a orientação de outro. Só isso já nos lembra que a nossa formação faz parte de uma história viva.
Ela também refletiu sobre a experiência partilhada que moldou o grupo ao longo dos últimos dois anos, acrescentando: "Se estes dois anos nos ensinaram alguma coisa, foi sobre o trabalho silencioso e consistente de ouvir com atenção, fazer melhores perguntas e transmitir conhecimento com integridade, humildade e determinação. Chegámos aqui como indivíduos. Partimos como um grupo moldado pelas histórias, pelo riso e pelo carinho uns dos outros."
Sundas Fayyaz,GPISHTurma de 2026 do
Sundas Fayyaz, oradora de formatura do GPISHTurma de 2026, dirigiu-se à assembleia remotamente e refletiu sobre a jornada partilhada destes últimos dois anos. No seu discurso, felicitou os seus colegas pela conclusão
"…esta bela jornada que iniciámos há dois anos com tantos sonhos, esperanças e aspirações", acrescentando que isso provou "que as noites em claro, as leituras intermináveis e as inúmeras chávenas de chá e café acabam, de facto, por levar a algum lado."
Refletindo sobre a experiência de estudar no Instituto, ela observou: "Meus queridos amigos, este programa de dois anos proporcionou-nos muito mais do que crescimento académico. Ensinou-nos a abraçar a diversidade, a tornar-nos independentes num país estrangeiro, longe da nossa zona de conforto, a interagir com as comunidades locais e a construir relações que podem durar para toda a vida. Estudar no estrangeiro significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Para alguns, trata-se de notas e sucesso académico. Para outros, trata-se de explorar culturas e novos lugares. Mas, para mim, esta experiência tem a ver com onze pessoas. Os meus colegas de turma, a minha família além da família… isto não é o fim da nossa história. Isto é apenas o começo de nos tornarmos no que estávamos destinados a ser."
Percursos pessoais
Sara Charania, diplomada do STEP, Moçambique
Refletindo sobre o significado de ser a primeira aluna de Moçambique diplomada pelo programa STEP, Sara Charania partilhou a sua experiência e deixou uma mensagem para os futuros candidatos:
É uma sensação incrível e muito emocionante. É uma grande responsabilidade, e é gratificante ser a primeira diplomada do STEP de Moçambique; além disso, é uma honra servir o ITREB de Moçambique.
Temos tantos alunos, temos as AcademiasAga KhanUm título concedido pelo Xá da Pérsia em 1818 ao então Imam Ismaili e herdado por cada um dos seus sucessores no Imamat. , e é uma comunidade em crescimento. Se estiver a candidatar-se a partir de um contexto pequeno e for o primeiro candidato, dê o passo – vale a pena. Tudo é incrível, o corpo docente e os funcionários aqui no ҹ糡 são muito solidários. Foram dois anos maravilhosos de experiência que tive no STEP e, Insha-Allah, poderei servir a comunidade durante muitos mais anos.
Ahmad Nayyar, diplomado pelo programa STEP, Vale de Hunza, Paquistão
Ahmad Nayyar, do Vale de Hunza, no Paquistão, reflete sobre o seu percurso como formando do programa STEP: Sinto-me imensamente orgulhoso por fazer parte da 16.ª turma do Programa de Formação de Professores do Ensino Secundário do ҹ糡. Ao longo dos últimos dois anos, tem sido uma jornada maravilhosa.
Quando olho para trás e penso na viagem que fiz do Paquistão até ao Reino Unido, considero-a verdadeiramente transformadora. Durante o meu período como estudante, participámos em debates críticos sobre fé, rituais e práticas, filosofia, estudos Qur'ânicos e história, e tudo isso alargou os meus horizontes.
A experiência na UCL foi inspiradora e, para além do ensino em escolas regulares no Reino Unido, ambas as experiências dotaram-me de competências e conhecimentos especializados únicos. A aprendizagem é uma jornada ao longo da vida, e aspiro a continuar a servir a minha comunidade e a trabalhar para fazer a diferença através da divulgação das competências e dos conhecimentos que adquiri durante a minha graduação no STEP na minha região natal do Vale de Hunza, no Paquistão.
Vencedores do Prémio de Melhor Dissertação ڱõ
Este é o primeiro ano em que foram atribuídos prémios de dissertação para o GPISH e o STEP.
As ڱõ que se seguem são dos vencedores do Prémio GPISH para a Melhor Dissertação da turma de 2026 — Rubab Meraj, Kiran Rehmat e Anila Bano — cujo trabalho foi reconhecido pelo seu excepcional mérito académico.
Rubab Meraj, vencedora do Prémio GPISH para a Melhor Dissertação
Ao refletir sobre o percurso da dissertação, Rubab Meraj descreveu-o como uma oportunidade para um profundo envolvimento intelectual e pessoal:
A dissertação do GPISH constituiu uma oportunidade inspiradora para mergulhar profundamente em ideias movidas pela paixão, através de uma perspetiva académica crítica e com base na experiência humana.
Era o meu "bebé", como disse o meu orientador. A jornada foi uma mistura de desafio a preconceitos, instrospeçoes pela noite dentro, conversas com colegas e pensamento criativo. Ensinou-me a importância de afirmar o nosso lugar na produção de conhecimento, especialmente aquele que lida com as próprias realidades que vivemos num mundo pós-colonial.
Kiran Rehmat, vencedor do Prémio GPISH para a Melhor Dissertação
Kiran Rehmat referiu-se ao programa como um período de transformação tanto académica como pessoal: Logo após a minha licenciatura,
O GPISH proporcionou-me não só um crescimento académico, mas também um período de verdadeira transformação pessoal, durante o qual aprendi mais sobre quem sou e como penso. Através do programa, desenvolvi a capacidade de aperfeiçoar as minhas ideias e de abordar os problemas com uma mentalidade mais crítica e estruturada.
Tive a oportunidade de pôr verdadeiramente a minha curiosidade à prova. Aprender ao lado de colegas com percursos tão diversos e multidisciplinares alargou a minha perspetiva e enriqueceu todas as discussões. Acima de tudo, o programa proporcionou-me uma base sólida quanto à ética da investigação, que agora aplico no meu trabalho na área da assistência social, onde avalio as intervenções de saúde através de uma perspetiva ética.
Anila Bano, vencedora do Prémio GPISH para a Melhor Dissertação
Refletindo sobre o significado do prémio e a importância da sua própria investigação, Anila Bano partilhou: "Receber este prémio é uma grande honra, e ele pertence tanto ao povo de Darkut como a mim. Fico sinceramente grata àqueles que me acolheram nas suas casas com tanta generosidade e confiança, partilhando histórias moldadas por sukoon (paz), por pareshani (angústia) e pela silenciosa persistência de wahum em áreas expostas a múltiplos riscos." As suas palavras lembram-me que as inundações não são eventos pontuais, mas realidades vividas e complexas, que remodelam lares, memórias e mundos emocionais, unidas na frase duradoura "dewushumaan, sey churumbi": reconstruímos uma e outra vez.
Com base no meu percurso interdisciplinar através do programa GPISH e da minha formação anterior em Psicologia e Biologia, procurei conciliar o humano e o ambiental, o científico e o vivenciado. O que resultou do meu trabalho de dissertação não foi uma simples narrativa de vulnerabilidade ou de força, mas sim do entrelaçamento de ambos.
Alina Charania, vencedora do Prémio STEP para a Melhor Dissertação, Índia
Alina Rahim Charania, da Índia, que recebeu o Prémio STEP para a Melhor Dissertação, afirmou que:
O STEP tem sido uma jornada profundamente transformadora para mim. Não só me moldou como educadora, mas também como pessoa que continua a aprender, levando-me a questionar, a refletir e a crescer constantemente.
Este espaço incentivou-me a aceitar a incerteza, a estabelecer ligações significativas, a conhecer a diversidade e a compreender a verdadeira essência do ensino. Saio daqui não só com competências, mas também com uma mentalidade que sei que me vai acompanhar para o resto da vida.
Um momento de celebração e novos começos
A cerimónia terminou com uma ovação de pé para todos os formandos, a que se seguiu uma receção onde os recém-graduados, as suas famílias, os docentes e os convidados continuaram a celebração.
Com a entrada da turma de 2026 dos cursos STEP C-16 e GPISH na crescente comunidade de antigos alunos do Instituto, o evento marcou não só o culminar de anos de estudo, mas também o início de novas contribuições para a investigação, a educação e a sociedade
O Instituto expressa os seus sinceros agradecimentos a Stefan Liszko, Secretário do ҹ糡, por ter sido um Mestre de Cerimónias não só eloquente como cheio de perspicácia e humor; à equipa de Serviços de Apoio aos Estudantes, liderada por ; ao Gabinete de Comunicação e Desenvolvimento; e aos inúmeros voluntários do Centro Ismaili e da comunidade estudantil, cuja dedicação garantiu o sucesso da cerimónia.