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Na noite de 8 de março de 2026, abriu as suas portas pelo décimo terceiro ano consecutivo para acolher um iftar inter-religioso, reunindo membros das comunidades judaica e muçulmana num espírito de amizade, esperança e humanidade partilhada. O encontro deste ano, com o tema «Encontrar a luz na escuridão», teve um grande impacto nos convidados que vivem num mundo marcado pela polarização e por tensões crescentes. O Rabino Colin Eimer e o Dr. Daryoush Mohammad Poor partilharam reflexões que entrelaçaram perspetivas das suas respetivas tradições, oferecendo caminhos para a compreensão e a resiliência.

Treze anos de amizade entre Judeus e Muçulmanos

Ao dar as boas-vindas aos convidados, o Dr. Mohammad Poor refletiu sobre o significado deste marco. «Treze anos a reunirmo-nos para conversar, estudar e comer — isso já é, por si só, uma espécie de luz no mundo», observou. Para ele, as amizades cultivadas através destes encontros não representam um mero subproduto da noite, mas sim o seu «propósito mais profundo».

O tema revelou-se oportuno. Ambos os oradores reconheceram os desafios que as suas comunidades enfrentam: o aumento da islamofobia e do antissemitismo, imagens de conflito que «nos ferem diariamente» e as lutas internas que surgem quando o medo se transforma em desconfiança ou a dor em amargura.

Tornarmo-nos «Pequenas Luzes Uns para os Outros»

Inspirando-se nas imagens luminosas do Qur'an —«Deus é a Luz dos céus e da terra»—, o Dr. Mohammad Poor convidou os participantes a considerarem-se «pequenos nichos de luz». Ele recordou como o Qur'an retrata a luz divina como habitndo um nicho que contém uma lamparina, a lamparina dentro de um vidro que brilha como uma estrela. «A luz divina não brilha apenas algures lá fora», explicou ele. «Ela precisa de nichos e lamparinas — lugares onde possa ser recebida, refletida, protegida.»

Esta imagem encontrou eco nas reflexões do Rabino Eimer sobre a tradição mística judaica, segundo a qual centelhas de luz divina ficaram presas ao mundo material no momento da criação. «A nossa tarefa é encontrar esses fragmentos e libertá-los», afirmou ele, «deixando que a luz divina inunde o mundo.»

Escolher a Vida: Um Apelo de Duas Tradições

O Rabino Eimer apresentou o pensamento de Miguel de Unamuno, o filósofo espanhol que, em 1936, se opôs ao grito de «Viva a morte!» de um general franquista com uma defesa baseada nos princípios da vida e da razão. Inspirando-se nos conceitos do psicanalista Erich Fromm de «biófilo» (amante da vida) e «necrófilo» (amante da morte), o rabino Eimer enquadrou a escolha humana fundamental: «Vede, hoje coloco perante vós a vida e a morte, o bem e o mal, a bênção e a maldição — por isso, escolhei a vida.»

A expressão hebraica u’va’charta ba’chayyim, observou, não significa simplesmente escolher a vida, mas sim «escolher entrar na vida» — um compromisso ativo e empenhado, em vez de uma observação passiva.

O Dr. Mohammad Poor reiterou este apelo sob a perspetiva da esperança. Citando o falecido Príncipe Karim Aga Khan, o 49.º Imam dos Muçulmanos Shi'i Ismailis, descreveu a esperança como «o trampolim do progresso — uma força que nos impulsiona para cima mesmo quando a gravidade parece puxar tudo para baixo». A esperança, sublinhou, não é um otimismo ingénuo, mas sim uma disciplina: «a decisão, repetida vezes sem conta, de não ceder ao desespero».

O Poder dos Encontros Continuados

Ambos os oradores salientaram que a luz surge através de uma relação duradoura. O Dr. Mohammad Poor citou o poeta persa Rumi: «As lamparinas são diferentes, mas a Luz é a mesma.» Ele refletiu que Muçulmanos e Judeus podem ter lamparinas diferentes — «rituais diferentes, línguas sagradas diferentes, memórias históricas diferentes» — mas a luz que convida ambas as comunidades à compaixão, à justiça e à misericórdia «provém de uma única fonte».

A noite terminou com um convite prático: antes de se retirarem, cada convidado foi incentivado a procurar alguém da outra comunidade e a fazer uma pergunta simples: «Como foi este último ano para si?» – e, depois, a ouvir, não para responder, mas para compreender.

Como observou o Dr. Mohammad Poor, este Iftar representa «uma pequena, mas obstinada prova contra a ideia de que Judeus e Muçulmanos têm de ser inimigos». Numa época de divisão, o encontro anual de Alyth demonstra que é ainda possível optar pela vida, pela amizade e pela esperança — uma lamparina de cada vez.